Para verificar se uma fotografia ou vídeo é real, comece por procurar o original com uma pesquisa inversa de imagens, depois verifique a sua proveniência com Content Credentials e SynthID, os metadados, o local e a hora. Os detetores de IA vêm por último, porque dão apenas pistas. Muito material enganador não é sequer falsificado: são fotografias e vídeos reais retirados do contexto.
Última verificação:
Siga a ordem: os primeiros passos também são os mais económicos e, muitas vezes, os dois primeiros já são suficientes.
Carregue a fotografia ou cole a sua ligação no Google Images (Lens), TinEye, Bing e Yandex: têm índices diferentes, por isso experimente vários. Procure a aparição mais antiga e compare as descrições. Se a mesma fotografia aparecer com histórias diferentes, ou muito antes do evento que alegadamente mostra, o problema está no contexto, não nos pixels. No TinEye, a ordenação "oldest" mostra a primeira vez que o TinEye encontrou a imagem, não a sua primeira aparição online, e o motor encontra cópias exatas ou alteradas, não imagens semelhantes. No Google, "About this image" mostra quando versões semelhantes foram vistas, mas não está disponível em todas as regiões.
Onde encontrá-las: Google Images · About this image · TinEye · Bing Images · Yandex Images
Instale o plugin InVID-WeVerify, no Chrome ou no Firefox, cole a ligação do vídeo e extraia os fotogramas-chave. Pesquise-os como no passo 1. Procure também a gravação completa: um corte pode mudar o significado sem alterar um único pixel. O plugin também tem lupa, metadados e filtros de análise; as ferramentas avançadas, incluindo as de deteção de deepfakes, estão reservadas a jornalistas, verificadores de factos e investigadores.
Onde encontrá-las: InVID-WeVerify · InVID-WeVerify (Firefox)
Carregue o ficheiro mais próximo do original no Content Credentials Verify. Se tiver uma assinatura C2PA, é possível ver quem o criou e o que foi alterado. Experimente também o SynthID Detector, que procura a marca de água invisível adicionada pela Google e pelas empresas que adotaram a tecnologia. Um resultado positivo é uma pista forte. A sua ausência não prova nada: as capturas de ecrã perdem os dados, os metadados podem ser removidos e o próprio SynthID afirma que não é um detetor geral de IA.
Onde encontrá-las: Content Credentials Verify · SynthID Detector
O ExifTool, um programa de linha de comandos, mostra a câmara, a data e o software de edição, se ainda estiverem no ficheiro; muitas redes sociais removem-nos ao carregar o conteúdo, por isso a sua ausência não significa manipulação. O Forensically e o FotoForensics oferecem análises como o ELA, que destaca áreas com compressão diferente. Nenhum dá um veredito: o FotoForensics diz que mostra dados em bruto, e o Forensically compara-se a uma lupa. Tenha atenção ao que carrega: no Forensically as imagens permanecem no computador, no FotoForensics permanecem no servidor durante pelo menos 3 meses, e o site afirma abertamente que não oferece privacidade.
Onde encontrá-las: ExifTool · Forensically · FotoForensics
Procure edifícios, sinais de trânsito ou terreno que consiga voltar a encontrar no Google Earth e no Street View. O cursor temporal do Google Earth mostra imagens de anos anteriores, mas as datas podem ser imprecisas. Com o SunCalc é possível comparar as sombras na imagem com a posição do sol no local e na data alegados. Depois, verifique se outras fontes independentes captaram o mesmo evento.
Onde encontrá-las: Google Earth · SunCalc
O Hive Detect, o Illuminarty, o AI or Not e o Sightengine estimam se um material é gerado. Não se fique pelo resultado. Um artigo publicado pelo Reuters Institute em 2024 descreve como, depois de recortado e redimensionado, um detetor acabou por sugerir que material gerado era real. O estudo Deepfake-Eval-2024, um preprint, mostra que os detetores de código aberto têm um desempenho muito pior em material real de 2024 do que em conjuntos de dados académicos, e que os comerciais, embora melhores, ainda não atingem a precisão de analistas forenses. Os números de precisão divulgados nos sites dos fornecedores vêm dos próprios fornecedores.
Onde encontrá-las: Hive Detect · Illuminarty · AI or Not · Sightengine · Reuters Institute (2024) · Deepfake-Eval-2024
Mãos com formas erradas, texto sem sentido, sombras inconsistentes ou um desfasamento entre os lábios e o som podem denunciar material gerado. A sua ausência não prova que o material é real, e os modelos continuam a melhorar. Use-os como motivo para continuar a verificar, não como resultado.
Uma fotografia autêntica pode sustentar uma afirmação falsa: pode ser antiga, de outro país ou descrita de forma incorreta. É por isso que o primeiro passo é a pesquisa inversa, não o detetor. Além de verificar se o material é autêntico, verifique também o que está a ser afirmado sobre ele.
Se o material for importante e não conseguir chegar a uma conclusão, procure-o primeiro no Google Fact Check Explorer e depois envie-o a uma redação: a AFP tem um formulário para fotografias e vídeos, e a nossa lista de ferramentas mostra o verificador de factos do seu país.
Onde encontrá-las: Google Fact Check Explorer · AFP · Que ferramentas de verificação de factos existem na Europa
O Justifact é uma opção, não um substituto dos passos acima, e somos nós que o desenvolvemos, pelo que não somos neutros. Carregue a fotografia ou cole a ligação do vídeo: a plataforma transcreve o vídeo, verifica as afirmações face a fontes na web e reporta sinais de manipulação ou de geração por IA separadamente. O resultado de autenticidade é uma pista, não uma prova, e o Justifact atualmente não lê Content Credentials, por isso, para C2PA, utilize o passo 3.
Onde encontrá-las: Como funciona o Justifact
Lemos a página e a documentação de cada ferramenta e listámos apenas o que afirmam. Não as testámos umas contra as outras nem atribuímos pontuações. Removemos ferramentas recomendadas em guias mais antigos que já não funcionam, como o YouTube DataViewer da Amnesty e o Jeffrey's Image Metadata Viewer. Se algo estiver errado ou desatualizado, informe-nos.
Onde encontrá-las: Escreva-nos
Para verificar se uma fotografia é real, comece por fazer uma pesquisa inversa de imagens no Google Images ou no TinEye e procure a aparição mais antiga. Depois verifique a sua proveniência no Content Credentials Verify, os metadados, o local e a hora. Use um detetor de IA apenas no final, como pista e não como prova.
Para verificar se um vídeo é um deepfake, extraia fotogramas-chave com o InVID-WeVerify, pesquise-os de forma inversa e encontre a gravação completa. Observe a sincronização labial e os contornos do rosto e, depois, experimente o SynthID Detector e um detetor de IA. Nenhum teste isolado é certo; o que importa é se vários apontam na mesma direção.
Não, nenhum site diz com certeza se uma fotografia foi gerada por IA. Os resultados dos detetores podem mudar depois de recortar ou redimensionar a imagem, e o SynthID só reconhece as marcas de água de determinadas empresas. Um resultado positivo é uma pista, e um resultado negativo não prova que a fotografia é real. É por isso que a pesquisa inversa e o contexto são importantes.
Não, a ausência de Content Credentials não significa que uma fotografia seja falsa. A documentação do projeto afirma isto explicitamente: as capturas de ecrã perdem estes dados e os metadados podem ser removidos. A sua presença é um indício sobre a origem, mas não prova que o que a imagem mostra é verdadeiro.